Se você achava que o gênero de colecionar monstros estava saturado com clones coloridos e fofinhos, Farbemon: Tintenmonster Kollektion chegou para chutar a porta, grafitar a parede e virar a mesa. Lançado como um exclusivo de peso para o NFusion Anxoboard type Phi — o novo queridinho do mercado de portáteis —, o jogo é uma mistura ácida de RPG tático, estética dieselpunk e pura rebeldia urbana.
Passamos as últimas semanas imersos nessa megacidade cinzenta e opressora, jogando no trem, no ônibus e no sofá. O veredito? A NFusion entendeu perfeitamente como entregar uma experiência profunda e portátil sem precisar derreter o hardware do console.
📱 Visual otimizado e o brilho dos “Eventos Cromáticos”
Vamos alinhar as expectativas: rodar um mundo aberto complexo em um portátil exige concessões. No dia a dia da exploração pelas ruas industriais da megacidade, os gráficos de Farbemon são apenas ok. Os cenários urbanos cumprem o seu papel com uma paleta cinzenta bem resolvida e texturas otimizadas para garantir que a bateria do seu Anxoboard type Phi dure por longas sessões de jogatina. O desempenho é fluido, mas o verdadeiro trunfo visual não está no plano de fundo.
O grande show acontece nos Eventos Especiais de Afinidade. É aqui que o poder de processamento do chip type Phi é direcionado para onde realmente importa: a revolucionária física de fluidos em tempo real.
Quando você interage de perto com o seu Farbemon ou quando eles passam por momentos cruciais da história, o jogo entra em um modo cinematográfico ultra-detalhado. A tinta alienígena senciente que forma o corpo deles se comporta de maneira incrivelmente realista. Ela goteja, pulsa e escorre de acordo com o estado emocional do monstro. Ver a matéria cromática de um Farbemon murchar e perder o brilho ao ser derrotado, ou explodir em partículas vibrantes e viscosas quando ele se conecta com a alma do seu personagem, cria um nível de empatia e apego raramente visto em jogos do gênero. Eles não parecem apenas polígonos na tela; parecem arte viva nas suas mãos.
📜 Uma trama portátil com peso de console de mesa
A narrativa de Farbemon foge totalmente do clichê de “vencer a liga”. Na história, a humanidade vive sob o punho de ferro da Gemeinde der Gläubigen, uma seita religiosa militarizada que prega o Armagedom e purga qualquer dissidência com fogo industrial. Quando essas criaturas de matéria cromática pura despertam das frestas do asfalto através do gás das Jet Cans, a cidade vira um campo de batalha ideológico dividido em três frentes:
- Os Pixadores (The Taggers): Rebeldes niilistas que enxergam os Farbemons como armas apocalípticas para destruir o sistema de vez.
- Os Grafiteiros (The Graffiti Artists): Visionários que buscam a evolução mútua e sonham em coexistir em harmonia com as formas humanoides e idealizadas de seus parceiros de tinta.
- Gemeinde der Gläubigen: A inquisição de ferro que caça os portadores de latas de spray, tratando os monstros como demônios a serem queimados com óleo fervente.
A estrutura de missões em formato menor casa perfeitamente com a proposta portátil do console, permitindo que você avance na disputa territorial entre as facções mesmo em sessões rápidas de 15 minutos.
🕹️ Gameplay: Sinta a pressão nas suas mãos
A NFusion fez um trabalho impecável na adaptação dos controles. Ao chacoalhar o portátil, os sensores de movimento simulam perfeitamente a esfera de metal batendo dentro da lata de spray antes de você liberar seu Farbemon para o combate.
As batalhas são profundamente táticas e funcionam em turnos dinâmicos. O campo de batalha vira uma tela onde a sobreposição de cores dita as vantagens elementares. Pintar o chão com uma tinta Neon pode anular o óleo ou o fogo usado pela inquisição, transformando cada confronto em um quebra-cabeça de cores inteligente e viciante para telas menores.
📊 Veredito: Vale a pena?
Nota: 8.8 / 10
Farbemon: Tintenmonster Kollektion é uma joia para o formato portátil. Ao focar o poder bruto do hardware nas físicas de fluido dos eventos especiais — gerando uma conexão emocional incrível com os monstros —, a desenvolvedora tomou a decisão certa em vez de buscar gráficos gerais pesados que comprometeriam a performance. É maduro, estiloso e absurdamente viciante.
Prós:
- Física de fluidos impressionante nos momentos de maior impacto emocional.
- Narrativa madura e escolhas de facção que realmente importam.
- Excelente adaptação para o formato de jogabilidade portátil.
Contras:
- Os gráficos gerais de exploração do cenário são apenas comuns.
- A navegação pelos menus na tela menor poderia ser um pouco mais otimizada.
E você, já preparou a sua Jet Can? Vai purificar o sistema com a rebeldia dos Pixadores ou buscar a harmonia com os Grafiteiros na tela do seu Anxoboard? Conta para a gente nos comentários!




